
O mais recente relatório da Junta Interventora Judicial da Federação Maranhense de Futebol (FMF) revelou que três mulheres receberam quantias significativas, por meio de transferências e Pix diretamente das contas da FMF e do Instituto Maranhense de Futebol (IMF), sem qualquer documentação oficial que justificasse as operações.
Após a divulgação do relatório, nossa redação investigou a identidade das beneficiárias. Tratam-se de filhas do ex-presidente Antônio Américo: Carolina Spotti Gonçalves, Manoela Spotti Gonçalves Fonseca e Letícia Spotti Gonçalves. Os valores recebidos incluíram R$ 20.000, R$ 9.556, R$ 8.791,20, R$ 3.440 e R$ 2.500 — configurando uma verdadeira “mesada” bancária, paga com recursos da instituição que deveria administrar o futebol maranhense.

Detalhamento dos repasses às filhas: Carolina Spotti Gonçalves recebeu seis pagamentos que somam R$ 29.797,20: R$ 8.791,20 em 27/03, R$ 3.600,00 em 09/05, R$ 250,00 em 10/05, R$ 9.556,00 em 28/05, R$ 3.600,00 em 11/06 e R$ 4.091,00 em 21/04. Manoela Spotti Gonçalves Fonseca recebeu dois pagamentos, totalizando R$ 25.000,00: R$ 5.000,00 em 05/04 e R$ 20.000,00 em 26/06. Letícia Spotti Gonçalves recebeu R$ 3.440,00 em 22/02.
Carolina Spotti, advogada, atuou como gestora de Credenciamento Artístico e Cultural na Secretaria de Estado da Cultura, durante a gestão do atual ministro Flávio Dino (STF). Letícia é empresária e proprietária de uma farmácia. Já Manoela Spotti é casada com Silvio Arley, homem que estava sendo preparado para assumir a presidência da FMF.

Todas fazem parte de uma família que, ao longo dos anos, teve membros lotados na Assembleia Legislativa do Maranhão, reforçando o histórico de influência familiar dentro de órgãos públicos e entidades esportivas.

De acordo com o relatório, os repasses às filhas fazem parte de um esquema muito maior: foram identificados saques em espécie que somam R$ 1,7 milhão e transferências bancárias de R$ 345.828,20 realizadas em favor do ex-presidente e de seus familiares nos últimos dois anos, caracterizando desvio de recursos públicos da FMF e do Instituto Maranhense de Futebol.



