
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acendeu o sinal de alerta e colocou forte pressão sobre o juiz Douglas Martins para acelerar a realização da audiência de conciliação que pode definir os rumos da intervenção judicial da Federação Maranhense de Futebol (FMF). Em petição protocolada nos autos do processo, a CBF revelou ter recebido uma advertência formal da FIFA, apontando risco concreto de sanções internacionais caso a intervenção estatal seja mantida. Desde o mês de agosto, Susan Lucena comanda a FMF, após o afastamento do ex-presidente Antônio Américo, acusado de diversas irregularidades na instituição.
O documento enviado pela entidade máxima do futebol mundial destaca que intervenções externas na gestão de federações podem resultar em punições severas, inclusive o impedimento de participação em competições internacionais, mesmo quando a interferência não ocorre por iniciativa da própria CBF. O alerta se baseia nos artigos 14 e 19 do Estatuto da FIFA, que exigem autonomia plena das associações nacionais.
Diante da gravidade do cenário, a CBF reiterou pedido de urgência para que o juiz Douglas de Melo designe, o quanto antes, uma audiência de conciliação com participação efetiva da entidade, do Ministério Público do Maranhão e da parte reclamante. O objetivo é construir um cronograma seguro para o encerramento da intervenção judicial.
A Confederação lembra que o próprio Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação nº 85.536, já determinou a realização dessa audiência. Em decisão anterior, o ministro Flávio Dino estabeleceu prazo até o mês de março para que a conciliação fosse concretizada. No entanto, a CBF sustenta que o novo fato — a carta da FIFA — exige antecipação imediata desse debate.
No pedido, a entidade reforça que a autonomia das entidades desportivas não é apenas uma diretriz estatutária, mas também uma garantia constitucional, prevista no artigo 217 da Constituição Federal. Segundo a CBF, o prolongamento da intervenção judicial pode ultrapassar limites legais e provocar consequências internacionais irreversíveis.
O temor da Confederação é claro: caso a situação não seja rapidamente solucionada, o futebol brasileiro pode ser diretamente afetado, com reflexos que atingem desde clubes e competições até a própria Seleção Brasileira, principal vitrine esportiva do país.
Agora, a bola está com a Justiça. A expectativa é que o juiz Douglas de Melo se manifeste com urgência, evitando que o impasse jurídico interno escale para uma crise internacional sem precedentes no futebol brasileiro.



